Você é um Astrólogo?

A Carta Natal ao lado é a minha, mas o texto pertence a outros astrólogos, cabendo a mim somente a tradução e interpretação dele. Comecei meus estudos autodidatas em Astrologia Tropical assim que ingressei na Mahā Daśā de Rāhu (AK) colocado na casa 11. Não me identifiquei com ela, mas não cabe aqui entrar em detalhes. Desde essa época (Mahā Daśā de Rāhu) eu já tinha interesse em estudar Jyotiṣa, mas esse conhecimento era ainda escasso aqui no Brasil e eu não sabia nem por onde começar. Quando entrei na minha Mahā Daśā de Júpiter, ingressei também em um curso de Jyotiṣa e pude satisfazer esse meu antigo sonho. Um profissional deve ser transparente em seu ofício, assim penso. E por esse motivo deixo minha Carta a quem se interessar por ela. Nada tenho a esconder, portanto.


Você é um Astrólogo?

Esse é um artigo escrito a partir de algumas fontes de pesquisa, como indicadas no rodapé da postagem. Inspirada em uma recente postagem, e também em um trabalho realizado nessa área, cujo objetivo era esclarecer a dúvida de um cliente meu sobre qual caminho profissional seguir, resolvi escrever esse artigo para o meu Blog.

As casas Paṇapharas (2, 5, 8, 11), adjacentes aos Kendras, são as controladoras do futuro. Todas estas casas estão associadas com o poder de predizer o futuro, mas todas conservam em si características próprias que imprimirão habilidades específicas tão requeridas ao exercício dessa profissão, como bem conhecidas nos estudos dos significados dos Bhāvas.

Júpiter e Rāhu são os principais planetas relacionados à boa prática em Jyotiṣa. Júpiter e Rāhu têm dṛṣṭi sobre a 5ª (de si mesmos) e representam duas dinastias de Astrólogos, por assim dizer. Isto é, a de Júpiter (Mahaṛṣis) e a de Rāhu (Rākṣasas). Segue-se a eles Marte, que lança dṛṣṭi sobre a 8ª (de si mesmo), o qual conserva em si o poder sobre Kalpa (conhecimento oculto na prática da ritualística).  

Deve-se observar se o AK está na 11ª, pois isto indica habilidade certa para se tornar um bom Astrólogo. Deve-se observar também o envolvimento desses planetas com as casas Paṇapharas e, principalmente, com a casa 5, o qual indica a capacidade de compreender o conhecimento contido nos Śāstras, além da habilidade de ver o futuro.

Alguns apontamentos importantes aqui se fazem necessários. A casa 2 é a casa do discurso, mas é a casa 5 que trata da ciência do Mantra e nos diz se o indivíduo usa esse conhecimento para boas ou más ações nesta vida. A casa 5 dá a capacidade de compreender os Śāstras, mas é a casa 8 que trata da Ciência dos Rituais, a prática do conhecimento místico espiritual,  (Kalpa, um aṅga em Jyotiṣa). A casa 8 dá o conhecimento oculto, mas é a casa 11 que confere Siddhi (realização) sobre esse conhecimento oculto. Todas estas casas estão relacionadas de um modo ou de outro entre si.

Sabendo quais casas controlam a habilidade de ver o futuro, quais os principais planetas relacionados à prática de astrologia, compreendendo os motivos que estabelecem tais regras, basta fazer a associação desses planetas com tais casas, verificando a força (dig e ucchaja) de cada um, pois de que vale um Júpiter debilitado para a prática da Astrologia se ele é o controlador principal do julgamento e do conhecimento tradicional? O mesmo se aplica aos demais planetas, cada qual possuindo em si suas próprias características, isto é, Rāhu de investigar, Marte na realização do Kalpa em associação com o conhecimento oculto. Regras à parte existem para determinar a força de um planeta debilitado, exaltado, direto e retrógrado. Portanto, cuidado nessa e em qualquer tipo de análise ao determinar a força de um planeta a partir de sua colocação em signos e casas.

Se a pessoa, mesmo com a habilidade para ser um bom astrólogo, realizará ou não essa função na vida, isso dependerá de outros fatores. Podemos dizer que nascemos com várias habilidades natas, mas o exercício dessas habilidades dependerá da formação profissional recebida. Em astrologia, como muitos seguem o caminho do autodidatismo, não é possível investigar isso a partir das casas que controlam o estudo tradicional, aquele formal, mas muito mais naquelas que indicam se o indivíduo irá trabalhar por conta própria e em quê. Depois, cabe dizer que o período indicado para a realização daquela profissão precisa ser ativado. Yogas que favorecem a realização de algo podem ser ativados propositadamente ou não. Formas de ativar determinados yogas são idas a templos, locais sagrados, locais de peregrinação, banhos em rios sagrados, penitências espirituais etc.

Cabe aqui uma observação interessante feita por Col. Ak. Gour. Ao analisar os significadores da profissão, ele sempre afirma que um desses significadores, pelo menos, estará aflito. E essa é a confirmação para o exercício certo daquela profissão.

Há tanto o que dizer sobre isso, e o tempo é sempre corrido demais para todas as atividades que eu desejaria me dedicar. Assim que eu puder voltarei aqui para continuidade desse meu trabalho. Falarei sobre o papel que Mercúrio desempenha como um coadjuvante, falarei também no exercício de Kalpa (a parte ritualística dentro da Astrologia Védica) e a semelhança que a Magia Cerimonial na Astrologia Tropical tem com esse antigo conhecimento, ferramentas imprescindíveis para a boa prática de retificações planetárias. Falarei também dos yogas planetários responsáveis por formarem bons astrólogos, e da força direcional dos planetas que impulsionam o indivíduo para a realização desta profissão.


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Fontes de Consulta ---

How to see a Jyotisha from a chart – Pandit Sanjay Rath; MR. Narasimha Rao;
Astrology of Professions – Col. A.K. Gour